Presença que acolhe: como o vínculo com a mãe ou cuidador influencia toda a vida emocional da criança

A rotina intensa e as múltiplas responsabilidades podem dificultar a presença plena de pais e cuidadores, e muitas vezes, se sentem culpados por não conseguirem dar conta de tudo. Nesse contexto, é fundamental refletirmos sobre a importância do vínculo entre a criança e seus cuidadores, especialmente no início da vida.

Morgana A. Paza dos Santos, 2025

5/26/20253 min read

A rotina intensa e as múltiplas responsabilidades podem dificultar a presença plena de pais e cuidadores, e muitas vezes, se sentem culpados por não conseguirem dar conta de tudo. Nesse contexto, é fundamental refletirmos sobre a importância do vínculo entre a criança e seus cuidadores, especialmente no início da vida.

A qualidade da relação entre mãe (ou cuidador principal) e a criança forma o alicerce sobre o qual se constrói o desenvolvimento emocional. A forma como a criança é acolhida, ouvida e respondida nos primeiros anos influencia diretamente sua capacidade de confiar, de se relacionar e até de lidar com frustrações e adversidades na vida adulta.

Segundo a Teoria do Apego, quando a criança se sente segura emocionalmente, ela se sente autorizada a explorar o mundo. Isso acontece porque ela sabe que tem um lugar de retorno: alguém que a acolhe quando o medo aparece, quando há dor ou quando ela simplesmente precisa de colo.

Essa segurança não exige perfeição. O mais importante é a presença afetiva — um olhar que valida, uma escuta atenta, uma resposta empática. Quando a mãe ou o cuidador consegue, dentro de suas possibilidades, estar verdadeiramente disponível para a criança, ele envia uma mensagem potente: “Você é importante, você pode confiar.”

Situações como ausências prolongadas, estresse constante dos cuidadores, depressão materna ou sobrecarga emocional podem dificultar a formação desse vínculo. Crianças que crescem sem essa base emocional segura podem desenvolver medos exagerados, dificuldades de confiança, problemas de autoestima ou comportamentos de evitação nos relacionamentos.

É importante destacar que nenhum vínculo é “irrecuperável”. A psicoterapia pode ajudar não apenas crianças e adolescentes a ressignificarem vivências, mas também os pais que desejam se reconectar com seus filhos, mesmo após períodos difíceis.

Mães e cuidadores também precisam de apoio. Muitas vezes, a culpa ou o cansaço impedem que se percebam como bons cuidadores. O autoconhecimento, o cuidado emocional e até a busca por psicoterapia são formas de fortalecer o próprio equilíbrio para que possam oferecer o melhor de si à criança — com presença, afeto e acolhimento real.

Dicas práticas para fortalecer o vínculo com a criança:

  1. Reserve momentos diários de atenção exclusiva: Mesmo que sejam apenas 10 minutos por dia, esteja presente com a criança sem distrações. Brinque, ouça o que ela tem a dizer.

  2. Pratique o “olhar atento”: Um simples contato visual durante uma conversa pode fazer a criança se sentir valorizada. Demonstre interesse genuíno pelo que ela está vivendo.

  3. Valide os sentimentos da criança: Em vez de dizer “não é nada”, experimente: “Imagino que isso tenha sido difícil para você”. Nomear e acolher as emoções fortalece o vínculo e ajuda no desenvolvimento emocional.

  4. Crie rituais de conexão: Um beijo na testa antes de dormir, uma música no caminho da escola, ou uma história antes de dormir são pequenas práticas que geram segurança e pertencimento.

  5. Inclua a criança nas rotinas familiares: Permitir que ela participe, mesmo que em pequenas decisões, reforça sua importância e promove o sentimento de cooperação.

  6. Cuide do seu próprio bem-estar emocional: Cuidadores mais equilibrados emocionalmente têm mais condições de oferecer presença e afeto. Psicoterapia pode ser um passo essencial nesse caminho.

Se você sente que há dificuldades no relacionamento com seu filho, se percebe comportamentos que te preocupam ou se deseja compreender melhor como fortalecer esse vínculo tão importante, a psicoterapia pode ser um espaço de acolhimento, escuta e construção conjunta de novas possibilidades.

Você não precisa saber tudo — basta estar disposto a aprender, a escutar e a cuidar, inclusive de si.